100 anos de Casa do Alentejo – Escultura Uma Fonte de Amizade

A Casa do Alentejo inaugura amanhã, Dia da Liberdade, a escultura Uma Fonte de Amizade, da autoria do escultor alentejano Jorge Pé-Curto.

As comemorações dos 100 anos da Casa do Alentejo estendem-se até ao final do ano e, com esta iniciativa, a organização regional pretende enaltecer a força da amizade e da camaradagem das gentes do nosso Alentejo. A escultura ficará exposta no Páteo Árabe.

Promover o desenvolvimento intelectual, moral e material do Alentejo, constituiu, desde as suas origens, o principal objetivo estatutário da agremiação alentejana.

A vida da Casa Regional é cheia de acontecimentos, de histórias, de memórias. Difícil será conseguir selecionar a riqueza das participações e iniciativas que bem a legitimaram como a embaixada do Alentejo na capital, título que tem perdurado e orgulhosamente é referido pelas sucessivas gerações.

A Casa do Alentejo está situada num espaço e num local privilegiados e é entre as suas congéneres a mais visitada e admirada sede. Porém, há que reconhecer que foi graças ao empenho e trabalho, que os seus naturais, dirigentes, sócios e amigos têm concretizado, que a Cultura e o Património do Alentejo deram vida a um vetusto palácio da Baixa Pombalina.

É um dos polos de atracão da Baixa, polo de divulgação da cultura alentejana e anfitriã de outras culturas.

A Coletividade ao afirmar-se, ao longo de 100 anos, como o baluarte da preservação e divulgação da Região Alentejo, representando o povo alentejano, a sua cultura e identidade na capital, demonstra bem o papel prestigiante que tem tido na vida associativa portuguesa.

 

Uma Fonte de Amizade, por J. Monge

Quando a nascente da ribeira ecoa nas paredes das casas toda a lonjura e as taramelas do calor se desvanecem aos nossos pés. É assim que resistimos. Os nossos ombros têm a forma dos braços que neles se apoiam. É assim que surge o “ponto”, é assim que surge o “alto”.

A amizade é um bicho de pouca roupa e, tal como a água, só se veste da vontade para se despir da forma. São corações “a tempo” que fintam as agruras da planície para a ribeira desaguar em paz.

“Dá-me uma gotinha de água” mais do que um pedido é a prova de confiança que alguém nos ajudará a secar o rosto. Porque essa, a água do rosto, não se bebe por ser salgada.

As gentes do “canto chão” alimentam-se de água doce para transpirar o mar inteiro. É isto que levamos: a sede e a amizade na barriga de um cocharro.

Sorrimos das goteiras da telha vã e inventamos nas paredes das casas o eco das ribeirinhas e, tal como elas, desaguamos em paz junto de quem mata a sede.